INÍCIO RESENHAS PARCEIROS CONTATO ESPECIAIS

14 de abril de 2015

Falando sobre: A Revolução dos Bichos

||

Autor: George Orwell
Editora: Cia. das Letras
152 Páginas
Sinopse: Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, 'A Revolução dos Bichos' é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.
De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stalin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, a obra passou a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell repetiria o mesmo gesto anos mais tarde com seu outro romance 1984, finalizado-o às pressas à beira da morte para que o mesmo service de alerta ao ocidente sobre o horrores do totalitarismo comunista.
É irônico que o escritor, para fazer esse retrato cruel da humanidade, tenha recorrido aos animais como personagens. De certo modo, a inteligência política que humaniza seus bichos é a mesma que animaliza os homens. Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, A revolução dos bichos combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante máximo.
Oi gente! O livro de hoje é um clássico do século passado que tem sacadas tão inteligentes, que tornam as críticas pesadas à uma sociedade em algo leve e fácil de entender.

A história é uma fábula, como o próprio nome já nos revela, e o autor incorporou fatos reais sobre o socialismo na Rússia e os transformou nessa narrativa. Na trama, os personagens são animais de uma fazenda maltratados pelo dono, trabalham demais e sempre recebem poucos alimentos. Assim, um porco de mais idade, o velho Major, quase no fim de sua vida, reúne os bichos do sitio e diz que há uma necessidade de rebelião contra os humanos. Ele apresenta a todos uma melodia, 'Bichos da Inglaterra', para levantar-lhes o ânimo.

"O Homem é única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais."
Após o falecimento do velho Major, os porcos remanescentes pensam em um modo de fazer com que os animais sejam independentes na fazenda sem a necessidade do fazendeiro. Houve novamente uma reunião de todos bichos, a qual eles cantaram novamente a melodia para comemorar esse novo espírito de rebelião.

De modo organizado, com a liderança dos porcos, os animais conseguiram expulsar o dono da própria fazenda e viverem independentes. A partir desse momento, criam-se regras de convivência entre os animais; os princípios do Animalismo.


Os porcos, como são os mais inteligentes da fazenda, ensinam todos os outros animais a ler e a escrever. Nem todos conseguem, mas a minoria que aprende, consegue ler os sete mandamentos para a convivência em harmonia entre todos. 

Os dois porcos que lideram todos os bichos são Bola-de-Neve e Napoleão. O Bola-de-Neve é mais sensato e menos radical e trata todos igualmente. Napoleão criou em si uma ideia de grandeza e consegue de algum modo mudar toda a estrutura da fazenda, elaborando um modo com que Bola-de-Neve fique como o culpado de algumas situações e seja expulso da fazenda.
"A despeito do estado de choque em que a expulsão de Bola-de-Neve os deixara, os bichos caíram das nuvens com aquela notícia. Vários teriam protestado, se conseguissem achar os argumentos."
Napoleão torna-se o único líder, e a fazenda começa a ter mudanças drásticas. Nos sete mandamentos surgem mudanças que somente os porcos entendem e percebem, pois os outros animais não sabem ler tão bem, mesmo estando todas as regras escritas na parede do celeiro para todos verem.

Essas mudanças que são feitas aos poucos fazem com que somente os porcos sejam favorecidos e os ideais de igualdade com o tempo são esquecidos e em  um dado momento os sete mandamentos se compactam em uma só frase:
"Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros."
O livro tem um tom de humor ótimo, muito sarcástico e irônico, principalmente durante as mudanças dos sete mandamentos. Já que os animais, os que não são os porcos, não sabem ler tão bem, só percebem depois de muito tempo as mudanças que são inseridas. E além disso, os porcos conseguem manipular as lembranças de todos os animais, fazendo com que todas regras continuassem as mesmas e nunca houvessem mudanças.
"[...] lendo os Sete Mandamentos, notou que havia outro mandamento mal lembrado pelos animais. Todos pensavam que o Quinto Mandamento era "Nenhum animal beberá álcool", mas haviam esquecido duas palavras. Na realidade, o mandamento dizia: "Nenhum animal beberá álcool em excesso."
Essa edição da Companhia da Letras tem um Apêndice que contém dois dos primeiros Prefácios que o autor escreveu e que nos esclarece como ele teve a ideia de criar a narrativa e explica o porquê de sua crítica contra a União Soviética. 

É uma crítica e uma leitura muito boa mesmo se você não souber sobre a Revolução Russa (se você souber obviamente vai ser melhor), pois eu não sei muito sobre esse período e gostei bastante. A narrativa é tão ampla que pode ser associada a qualquer governo que inicialmente visa a igualdade para todos, porém só a conserva para um pequeno grupo.

Espero que vocês tenham gostado de resenha. Eu não sou nenhuma uma expert sobre União Soviética e Revolução Russa, essa resenha foi a minha opinião sobre a fábula em si. Se você já leu esse livro ou outro do autor, comente, pois quero saber a opinião de vocês sobre o assunto.

Ah e lembrem-se: foca na leitura!
Facebook
Blogger

8 comentários

  1. Eu amei seu blog, é muito original! Haha, muito bonito. Gostei muito da resenha, infelizmente nunca me senti atraída por esse livro. Não sei porque, vejo muita gente falar bem ou medianamente do livro mas nada que me de vontade ler. Beijo.

    http://alguns-livros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Wandressa!
      Obrigada, fico muito feliz que tenha gostado do blog!
      Ah, dê uma chance vai? É bem legal :)
      Beijos!

      Excluir
  2. Oi Joyce, tudo bem com você?
    Parabéns pela resenha, super explicativa e detalhada. Eu quero muito ler esse livro, mas não no momento, pois estou com uma fila grandinha, haha.

    Beijão!
    www.acampamentodaleitura.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Gleydson!
      Obrigada, fico lisonjeada que tenha gostado da resenha!
      Entendo seus problemas haha
      Minha lista também é grande rs

      Beijos!

      Excluir
  3. Já li esse livro, e gostei bastante. Estou até fazendo uma resenha sobre ele! Achei bem interessante a forma de mostrar tanto coisas atuais nossas, tanto quanto a forma de governo socialista. Adorei a resenha também!
    cadalivroumahistoria.tumblr.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Luiza!
      Ele é ótimo não é?
      Nossa que legal! Espero conseguir lê-la para ver suas opiniões :)
      As críticas são atuais e extremamente inteligentes!
      Beijos!

      Excluir
    2. Estou atualmente lendo esse livro e estou gostando muito, gostei da resenha ;) !!!!

      Excluir
    3. Oi Gabriel!
      Espero que goste da leitura tanto quanto eu!
      Obrigada,
      Beijos!

      Excluir