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3 de fevereiro de 2017

Falando Sobre: Muito Amor, Por Favor

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Autores: Arthur Aguiar, Frederico Elboni, Ique Carvalho, Matheus Rocha 
Editora: Sextante 
240 Páginas 

Sinopse: Este livro reúne textos que mostram o amor do ponto de vista de quatro jovens que escrevem sobre relacionamentos legítimos e atuais, que souberam se reinventar. Sem medo de expressar seus sentimentos, deixam para trás estereótipos já obsoletos – como o controlador machista ou o piegas choroso – e falam sobre viver a dois e sobre a natureza das relações em todos os seus aspectos. Assim, cada autor reflete sobre o amor representado por um elemento: Arthur Aguiar escreve que “O amor é água”, dizendo que ele é fluido, mas por vezes gelado; ora tempestade, ora profundo. Fred Elboni explica que “O amor é ar”, mostrando a leveza de se amar sem sofrer, da brisa que envolve os apaixonados, mas que por vezes torna-se furacão. Ique Carvalho se debruça sobre quando “O amor é fogo”, que arde, aquece a alma, mas que também pode incendiar até doer. E Matheus Rocha conta que “O amor é terra”, estável, tranquilo, mas que não escapa dos terremotos da vida, que tiram tudo do lugar para que a rotina não o extermine. Um livro apaixonante, para quem ama e para quem quer amar um dia... e sempre.

Este não é um livro que a Editora Sextante enviou para eu resenhar, apesar de termos a parceria firmada. Eu comprei o Muito Amor, Por Favor na Bienal de 2016, porque tinha senha para a sessão de autógrafos. E, bom, eu fui atrás de conseguir a senha para autógrafo porque um dos autores do livro é o Frederico Elboni, um escritor que admiro muito.

Depois de ter lido Um Sorriso ou Dois e Só a Gente Sabe o que Sente, eu precisava saber quais eram as palavras novas e belas que o Fred tinha para mim e quais os ensinamentos que eu ia levar dos textos dele. Note que, com tudo isso, eu estou tentando dizer que o Fred foi a única razão de eu ter comprado o livro. Deixado isso claro, vamos para a resenha:

Muito Amor, Por Favor reúne textos de quatro autores e fala sobre o sentimento amor de quatro formas diferentes: o amor quando é água (pode ser quente, ferir quando é muito gélido ou fluir quando é profundo e sincero), o amor quando é ar (um sentimento sem peso, sem amarras, que às vezes pode se transformar em vendaval, mas logo volta a ser brisa), quando o amor é fogo (ardente, aquecedor da alma, mas que sem cuidado a brasa pode queimar muito forte) e quando o amor é terra (estável, certo, pé no chão, mas que às vezes pode abalar todas as estruturas e tirar tudo do lugar).

Ique Carvalho ficou responsável por retratar o amor quando ele é fogo. A escrita dele era em forma de poesia e, talvez por conta disso, os textos continham muitas rimas. Destaco o "A Faísca" e "Coragem de acender o fogo" como os meus preferidos dele.
"O maior erro é se apaixonar por alguém e achar que essa pessoa deve ser o que você quer, e não quem ela é." - Pág. 33.
Matheus Rocha escreveu sobre o amor quando ele é terra. Foi o que eu menos gostei, porque não consegui me conectar ao ponto de ficar concentrada nos textos como deveria. A escrita dele não fluía para mim. Seleciono o "Ligações de amor que a gente aprende" como o melhor que ele escreveu.

Arthur Aguiar ficou responsável por retratar o amor quando ele é água. Li os textos dele num ritmo rápido, porque eles fluíam bem. Consigo destacar o "Mergulho na Loucura do Acaso", e "Aprendendo a Flutuar" como os melhores para mim.

Frederico Elboni retratou o amor quando ele é ar. O autor me pegou logo no início com o texto "Cata-vento", em que curiosamente a personagem principal se chama Luiza. Eu me identifiquei muito. Contudo, esta é, de longe, a seleção de textos do Fred de que menos gostei. As características dos textos dele (sensibilidade, paixão, um pouco de realidade junto com muito sonho) estão ali, mas senti falta de algo a mais. Não sei dizer exatamente o que, mas parece que ele poderia ter ido mais fundo nas reflexões se quisesse e não o fez. Um texto que achei muito fofo foi o "Como pipa a gente se foi".
"Num beijo sempre há amor. Mesmo que, entre os dois, não haja um amanhã. A gente tenta entender o que o outro sente, se deixa levar, sem questionamentos, vive o presente e, pelo menos um pouco, experimenta como é ser o outro." - Pág. 201.
"Se olhar no espelho e dizer "É, esse sou eu" é algo amargo demais para descer suave pela garganta. Se expor é tão louco quanto libertador. Se expor é ter segurança e coragem para admitir a si o que você realmente é. E, mesmo que no fundo sempre omitamos alguma coisinha, a gente adora se enganar. Com o tempo, a gente aprende a lidar, tem mais consciência do que somos, mudamos um pouco, cedemos em algo, contamos mais mentiras e, na sorte, encontramos alguém com algumas loucuras iguais às nossas. É, meus caros, esta é a vida: um grande defeito que, vez ou outra, distribui suas qualidades em forma de amor, carinho, pôr do sol e doces." - Pág. 206.
De forma geral, o livro não me agradou, porque acho que ele não cumpriu a proposta de retratar o amor nos quatro elementos. Senti muita falta de fogo, terra, água e ar. Nos textos do Ique, pensei que veria algo mais carnal, mas isso não aconteceu. Acho que também devemos levar em conta que, talvez pela diferença de idade, minhas experiências são muito diferentes das que foram retratadas no livro, de forma que consegui me identificar muito pouco com os textos.

De qualquer forma, recomendo o livro para quem já conhece algum desses autores e quer se aproximar mais deles. É um livro bem good vibes e amorzinho. 

Um beijo e foca na leitura!
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